domingo, 12 de maio de 2013

MEU SOL


 
MEU SOL
 
Olha lá! Eu não quero
que você se afaste
e me deixe assim
com o pensamento sombrio
e o coração molhado de lágrimas
pela ausência sentida.
Tudo farei, pode estar certa,
para te prender e manter bem pertinho,
para bem iluminar os meus dias,
aquecer o meu coração que te ama
e manter sempre acesa a chama,
minha grande estrela,
desse amor que nos une e inflama.

ANJO DOURADO


 
ANJO DOURADO
Revelou-se terrena
a representação do etéreo.
E desceu aqui uma metáfora
da categoria dos anjos e afins,
arcanjos e querubins.
Não veio no seu dia o serafin,
anjo Umabel.
Diante da visão esplêndida
do que assim à minha frente surgiu,
vestida com o dourado do sol,
I couldn’t take my eyes of you.

quinta-feira, 28 de março de 2013

REENCONTRO AO LUAR


 
Foi a Lua quem me disse:
“Ela te espera, deixa de tolice rapaz!
Eu mesma desenhei a sua sombra
que se alonga tal que sua esperança.
Também fui eu quem fez brilhar
uma lágrima solitária,
carregada de amor e ternura,
que rolou preguiçosa e sofrida,
riscou silenciosa o seu rosto
e se escondeu entre os seios,
cheios da sua ausência,
que esperam, generosos, o seu amor.”
Então eu senti, como uma lufada de vento,
a minha chama se avivar,
pela sensação gostosa de ser  amado,
de ouvir o amor sussurrado,
cantado pelo vento no meu ouvido,
da menina ávida de mim.
E do tamanho do seu fascínio
eu me dei conta, enfim.
E o meu barco rumou sereno,
apressando a lentidão do tempo,
trazendo seu homem  de volta ao cais.
E, sob o olhar prateado da lua alcoviteira,
estreitei  o seu corpo ao meu
 e me fundi, feliz, com meu amor.

O TEMPO E O VENTO


Eu deixei lá a menina do porto,
bela como uma flor,
sentada, ao fim da tarde,

na nossa pedra do cais... sorrindo.
Estava me afastando,

balançando nas ondas
como um passarinho
embalado pelo vento.
Os olhos cegados pelo sol... sonhando;
pensando se ainda estaria

lá quando eu voltasse.
Eu deixei lá a menina do porto,
sentada, iluminada pela lua,

na nossa pedra do cais...chorando.
Me afastando ligeiro pelas velas enfunadas,
os olhos ardendo do sal,
procurando um momento de solidão e de paz.
Ouvindo a música do vento,
aprendendo a sabedoria do tempo.
só ele vai me dizer
se vai viver ou morrer o seu amor
por este aventureiro rapaz.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SOCORRO! QUEREMOS VIVER!


Começa a arquejar o pulmão verde do mundo.

Por vezes penso se um dia vai ser só memória

aquele balancear tranqUilo e sereno da ramaria,

ora atiçada pelo vento, ora pelo passeio da macacada.

Anauê acará. Anauê aracema, caapuã, sauá.

Oxalá não veja a humanidade, em lugar desse bucolismo,

o solo seco crestado pelo sol inclemente,

o calor transformar o tesouro verde em palha

e, depois, o ar em movimento carregar o pó

soprando para longe a terra ressecada.

A natureza por ser perfeita é lenta, construir leva tempo.

Quantos séculos de trabalho de nossa mãe

para engendrar toda essa bela trama!

Ao contrário, destruir não demora.

Poucos golpes de machado ou de serra

abatem um soldado da vida nessa Terra.

A azáfama interesseira já fez muita ferida

na preciosa mata onde ainda piam alguns passarinhos.

Não demora a mangabeira vai deixar de existir por lá,

como ela o mogno, a seringueira e o açaí.

Para onde irão as orquídeas e bromélias,

o boto rosa, o pirarucu, a piranha, o caapora

e toda a exuberância verdejante?

Enquanto se dorme nas palhas e não se move uma palha

para trazê-la ao colo e protegê-la da predação,

estão lá os fazedores de deserto, ambiciosos e inescrupulosos

deserdando nossos filhos e desertando a esplêndida floresta.

E, assim, não demora, nas águas da Yara, morada de Irupé ,

o Iguará de asa branca, a lua airaquecê e a estrela airumã

não poderão mais se banhar, tampouco se admirar.

SEM VOCÊ



Madrugadas insone,

meu pensamento em você.

Horas de ansiedade...

Estás tão distante...

Caminhos solitários

eu tenho trilhado.

Te quero demais no meu mundo.

Na minha mente és onipresente.

Nos meus olhos só a tua imagem.

Eu não quero ter você.

Quero sim, merecer.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

UM SONHO À BEIRA DO CAIS


A bela menina do porto

sussurrou em meus ouvidos

as carícias que eu vinha querendo

então eu pude conhecer a sua voz,

leve como a brisa que sopra

os carneirinhos na água mansa.

Outros carneirinhos me apressei a contar

para que me trouxessem logo o sono

e eu pudesse com ela sonhar

embalado pelas asas das gaivotas

que sobrevoam a sua pedra lá no cais

e cujos cantos ecoam rumo ao mar

para os meus sentimentos encantar;

num bom sonho que me visitou

ancorei o meu corpo junto ao seu

para não deixá-la, jamais.

AMIGA OCULTA



Essa brincadeira de amigo oculto,

às vezes fica muito complicada.

Um presentinho bem difícil de encontrar

a belezinha da minha amiga quer ganhar:

blusinha fresquinha e fechada atrás!

As peças que eu acho

só se fecham bem na frente

pra esconder o que ali tem de mais atraente.

Em toda loja que eu entro

as que as vendedoras sempre trazem,

com um sorrisinho zombeteiro,

achando que é pra minha namorada

deixam são as costas nuas

para dar vazão ao calor do sol

que nessa época bate ardente.

Por isso mesmo uma delas me indicou:

já que a menina quer alguma coisa “diferente”

num sexy-shop vou encontrar, certamente.

domingo, 16 de setembro de 2012

O PEQUENO CAÇADOR




Jovem caçador de perdizes
O que você me diz?
Apesar de tudo
Dessa sua simplicidade
Vivendo desse jeito
Como o ambiente lhe impõe
Não pensou, talvez
Ah!  Pequeninos!
Eu bem sei
Em todos os cantos
Na imensidão desse nosso mundo
Trazem sempre no peito
Uma grande esperança
De serem como crianças
Vivendo sempre à caça
Do que lhes é mais importante
Saciar a fome do corpo
E buscar receber o afeto
No seio da família
Embaixo do seu teto
Ao aconchego dos seus


 Texto publicado no cenário AS LETRAS DA PINTURA  nº 2 organizado pelo Grupo ecos e Poesia
sobre a  obra  "The Little Hunter"_ Analua Zoé
http://ecosdapoesia.net/letras/analua_zoe/analua_zoe.htm

AVEC NOSTALGIE




Por onde andará
a menina do porto,
cujo passeio divino à beira do cais
enche de saudade
o peito deste barqueiro.
Procuro sempre por ela,
com meus olhos sonhadores,
ansiosos pela bela figura
pintada de branco
na aquarela colorida
pela minha imaginação,
almejando tê-la de vez
espetada no meu corpo,
como uma flor.
Querendo-a gravada em minha pele,
marcada como uma tatuagem,
em êxtase, colada em mim.
Senti-la assim como uma boca faminta
sugando o meu amor.
Bela e nua,
não de todo,
vestida apenas com um pendente
desenhado com as iniciais entrelaçadas,
dela e deste seu marujo.
Dançando ao movimento apressado
do seu peito delicado,
ainda vou tê-la, sim,
sem os artifícios dos devaneios.
Navegando, enfim,
sempre bem juntinho de mim.